Terapia crânio-sacral
O método foi criado por William Sutherland — discípulo de Andrew Taylor Still, fundador da osteopatia — no início do século XX, e mais tarde desenvolvido como abordagem independente por John Upledger. A essência é um trabalho extremamente suave com o crânio, a coluna e o sacro, respeitando o ritmo natural dos tecidos e do líquido cefalorraquidiano. Nos recém-nascidos, os ossos do crânio ainda são móveis e maleáveis, por isso esse trabalho é especialmente indicado nos primeiros meses de vida — por exemplo, para ajudar o corpo do bebê a se adaptar após o esforço do parto.
Liberação miofascial
Trabalho com a fáscia — o tecido conjuntivo que envolve músculos, órgãos e vasos por todo o corpo. Uma pressão suave e constante ajuda a liberar a tensão crônica dessa rede e devolver a elasticidade aos tecidos. O efeito da técnica é perceptível, embora não permanente — por isso funciona especialmente bem combinada com outros métodos, e não como solução isolada.
Técnicas viscerais
Essa linha foi desenvolvida pelo osteopata francês Jean-Pierre Barral, que descreveu a mobilidade natural dos órgãos internos. Uma atuação suave ajuda a restaurar essa mobilidade onde ela está limitada — por exemplo, em casos de cólicas, dificuldades digestivas ou tensão após a gravidez e o parto.
Abordagem biodinâmica
O mais delicado de todos os métodos: o osteopata não realiza correções ativas, mas acompanha os próprios ritmos do corpo — a respiração, a pulsação, o movimento dos fluidos —, confiando na capacidade do organismo de se autorregular. É por isso que essa abordagem é especialmente adequada para pessoas com alta sensibilidade, incluindo recém-nascidos.
Trabalho corporal e psicoterapêutico
Isso não é uma técnica osteopática no sentido estrito, mas parte da minha trajetória pessoal: a experiência em terapia do yoga e psicoterapia me convenceu de que o corpo e o estado emocional não são histórias separadas, mas uma só. Por isso, no trabalho com a mãe, eu sempre considero não apenas a tensão física, mas também o que ela está vivendo emocionalmente após o parto.
Por que isso não é apenas a minha opinião
A osteopatia no Brasil existe desde 1985. Em 2001, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) a reconheceu como especialidade do fisioterapeuta; desde 2013, a profissão de osteopata está oficialmente incluída na Classificação Brasileira de Ocupações.
A prática tem mais de cem anos de história: os primeiros osteopatas surgiram no Reino Unido em 1902, e já em 1903 foi criada a primeira associação nacional de osteopatas da Europa. Dali, a área se espalhou pelo continente — primeiro para a França, depois para a Bélgica e outros países, onde surgiram associações profissionais próprias ao longo do século XX. Na Rússia, onde fiz minha formação, a osteopatia chegou em 1991 e, desde 2015, está incluída no registro oficial de especialidades médicas do país.
A profissão é acompanhada por instituições e associações especializadas — no Brasil, o Comitê de Osteopatia (CABSIN) e o Registro de Osteopatas do Brasil; na Rússia, o Instituto de Osteopatia de São Petersburgo e a Associação Russa de Osteopatia, onde estudei — além de publicações científicas próprias, como o Jornal Russo de Osteopatia e o internacional International Journal of Osteopathic Medicine, que publicam há anos observações clínicas e pesquisas de osteopatas em atuação.
Como qualquer área relativamente jovem, a osteopatia às vezes encontra ceticismo — e isso é normal: parte das técnicas, especialmente as mais sutis, ainda não tem uma base científica totalmente consolidada, e eu falo sobre isso com honestidade, sem esconder. Mas por trás do ceticismo, muitas vezes há apenas falta de informação sobre o fato de que essa área tem décadas de história em diferentes países, formação especializada, comunidades profissionais e reconhecimento oficial. Trabalho exclusivamente com técnicas suaves e não invasivas — sem manipulações de força ou movimentos bruscos nas articulações —, e a confiança nessa abordagem se constrói não com promessas grandiosas, mas com uma conversa honesta sobre o que já está comprovado, o que ainda está sendo estudado, e o que a experiência clínica de anos realmente mostra.